Bocuse D'or Brasil: A Etapa Nacional
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Por Laura Costenaro
O Bocuse D'or, fundado pelo chef francês Paul Bocuse em 1987, é a mais importante e prestigiada competição de gastronomia global, realizada a cada dois anos em Lyon, França. O evento reúne os melhores chefs do mundo em um desafio de técnica, criatividade e talento, onde os competidores preparam pratos elaborados com ingredientes específicos, sob a avaliação de um júri técnico rigoroso. Antes da grande final, acontecem as seletivas nacionais e continentais, como o Bocuse D'or Américas.
O Brasil tem cada vez mais intensificado sua participação, buscando consolidar a gastronomia nacional no cenário de alta cozinha internacional. As seletivas nacionais são realizadas com a presença de grandes nomes da nossa cozinha e a Academia Brasil D'or atua como o comitê oficial que apoia a seleção brasileira de gastronomia. Para aprofundar o conteúdo desta reportagem, conversamos com Luiz Filipe Souza, chef do renomado restaurante Evvai, o atual Presidente da Academia Brasil D'or, que nos deu vários insights sobre a etapa nacional e o futuro da alta gastronomia brasileira.
Bocuse D'or Brasil: A Etapa Nacional
A recente Etapa Nacional do Bocuse D'or Brasil, que aconteceu dia 26 de janeiro, foi conduzida pela Academia Brasil D'or. O processo de seleção do chef que representará o país na etapa continental revelou os desafios e a ambição de elevar o padrão da gastronomia brasileira.
A escolha do representante brasileiro foi um processo dinâmico e exigente.Segundo o Presidente da Academia Brasil D'or, Luiz Filipe Souza, o tempo para organização da competição foi apertado, e ele precisava inscrever o candidato no fim de janeiro.
O objetivo era selecionar não apenas um cozinheiro tecnicamente apto, mas um talento que demonstrasse uma compreensão profunda da cozinha nacional. "Para que a gente tivesse assim, talvez o melhor candidato, e o mais preparado, além de olhar a nível técnico, o ideal também era ter um candidato que tivesse uma visão muito madura sobre um produto, sobre a cozinha nacional, sobre a nossa riqueza, sobre a nossa cultura", ressalta Luiz Filipe.
Tucupi em Destaque: Uma Escolha Estratégica Para Projetar o Brasil

A seleção do ingrediente principal para a prova da Etapa Nacional foi um ponto crucial para a competição e para a afirmação da nossa identidade. O escolhido: o tucupi.
Luiz Filipe Souza justifica a escolha com a busca por um sabor autêntico e impactante. Ele disse que buscava algo que fosse mais disruptivo em relação a cozinha clássica, que transmitisse não só a originalidade, mas também um choque cultural por meio do sabor. O tucupi seria um dos ingredientes com maior capacidade de oferecer isso sem ser extremista. E ele enfatiza também, que o tucupi carrega consigo a própria história e cultura, sendo um ingrediente 100% sul-americano e altamente identitário para o Brasil.
Vinícius Pires: O Talento que Representará o Brasil
Após uma seletiva acirrada, que contou com quase 50 inscritos, o jovem chef Vinícius Pires foi o vencedor da Etapa Nacional. Sua performance e sua trajetória impressionaram os avaliadores.
Luiz Filipe destacou a excelência do trabalho de Vinícius, afirmando que ele, de fato, acabou ganhando a prova pelo trabalho que havia apresentado num nível muito alto, o que foi também uma certa surpresa para a equipe. Ele acrescentou que a experiência prévia de Vinícius com o Bocuse D'or, por ter acompanhado ciclos anteriores, constituiu um diferencial, e que essa intimidade com o ambiente da competição é muito importante, pois ela realmente é muito específica.
A delicadeza de Vinícius em seu trabalho foi algo que encantou. "Além de tudo, ele tem 2 metros de altura e é extremamente delicado no trabalho dele, principalmente manual. Então é algo que realmente te causa um grande entretenimento, assistir ele trabalhando", elogia Luiz Filipe, reforçando a aptidão do chef para o desafio internacional. "Eu acho que é o candidato hoje mais bem preparado que o Brasil poderia ter para essa competição", conclui, com a certeza de que Vinícius tem mais do que capacidade de representar o país.
O Futuro da Academia e das Próximas Etapas Nacionais

A Academia Brasil D'or, sob a liderança de Luiz Filipe Souza, tem planos ambiciosos para as futuras edições da Etapa Nacional e para o desenvolvimento da gastronomia brasileira. O foco é fomentar uma cultura de competição e excelência. "A gente está num estágio muito embrionário, a intenção de que a academia seja não só responsável por administrar essas c
ompetições, criar essas competições, em grande escala, mas responsável também por fomentar essa cultura", afirma Luiz Filipe.
Um dos principais objetivos é poder proporcionar um tempo de preparo maior para os candidatos. A visão é que a próxima seleção nacional seja de maior porte, bem planejada e executada, possivelmente abrigada em grandes feiras ou congressos.
A Academia planeja criar um conselho, com personalidades relevantes da gastronomia, garantindo a renovação e a diversidade de visões. Além disso, buscarão parceiros e financiamento para estabelecer uma sede que terá um cunho social, com o objetivo de capacitar e fomentar a gastronomia e a cultura da competição em todo o país.
O Brasil no Cenário Global: Adaptando-se às Tendências
A competição é um termômetro de tendências, sendo capaz até de ditá-las. As tendências globais do Bocuse D'or mostram uma competição cada vez mais interessada em que os países expressem sua identidade culinária, observa Luiz Filipe. Apesar da forte influência francesa, a organização incentiva que cada nação "traga e vista de fato a sua própria cultura e traduza isso dentro do universo da competição".
O Brasil, com sua biodiversidade e riqueza cultural, tem um papel fundamental nesse cenário, utilizando o Bocuse D'or como plataforma para que o mundo reconheça a profundidade e excelência da nossa cozinha.
A Etapa Nacional do Bocuse D'or Brasil, com a Academia Brasil D'or à frente, é muito mais do que uma seleção de candidatos; é um movimento contínuo para impulsionar a inovação e colocar a gastronomia brasileira no lugar de destaque que ela merece no palco global. Com Vinícius Pires representando o nosso país e os planos ambiciosos da Academia, o futuro da nossa cozinha se desenha vibrante e cheio de sabor.

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